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_ quarta-feira, setembro 14, 2005 _



anda tudo doido com a publicação do diário (remendado) do Luiz Pacheco, e eu também. interesse por um escritor singular? qual quê, nunca li nada deste maldito, só quero saber como é a vida dos outros. sexo escabroso com adolescentes em casas de banho? não me digam mais, compro já, que para estas coisas tenho alma de velha reformada - o "Preço Certo em Euros" não me chega.

dentro do género, a minha última compra foi o diário de um bailarino russo. convém explicar, não tenho especial interesse por bailado clássico do início do século XX, mas abri o livro ao acaso e fui logo calhar no dia em que o Nijinski conclui que casar foi um erro - afinal a mulher já não gostava de dançar. eu, que na altura ainda não tinha percebido que o homem era de facto um bailarino, não interpretei a mágoa no sentido literal. "oh... que bonita metáfora para o fim do amor", pensei. voltei a abrir o livro ao acaso e parei no dia em que o Nijinski se compara ao Tolstoi. O que interessa num romance não são os romances, é a verdade. esta frase ficou-me, por isso comprei o livro. foi no Indie Lisboa deste ano, no King.
o Nijinski queria ser um escritor grandioso, um industrial poderoso, um salvador dos artistas malditos e do povo em geral. acabou internado num hospital psiquiátrico em Zurique, e na última entrada do diário, antes de apanhar o comboio, confessa que tem medo.
também li há pouco tempo a auto-biografia do Gore Vidal ("Palimpsest"). foi uma desilusão. basicamente ficamos a saber que, salvo a paixoneta infantil que o assombrou toda a vida (ler "A Cidade e o Pilar"), as pessoas comuns não são dignas de memória. bah. i couldn't care less about Jackie. prefiro a esquizofrenia do Nijinski.

mais: quero fundar um movimento secreto que resgate os álbuns de família que estão à venda nas antiguidades da feira da ladra. e criar uma nova secção nas bibliotecas para estes álbuns. desta forma impede-se que a vida dos outros desapareça. "boa tarde, eu procuro a família Silva de Póvoa de Varzim, aquela com o filho Jorge que morreu no Ultramar e com o primo Carlitos que emigrou para França em 1969. veja aí no computador. há uma fotografia da Maria de Lurdes Silva em 1972 na praia de S. Martinho do Porto que eu queria rever, se faz favor".

(por agora vamos ver como foi a vida deste Luiz Pacheco)

João | 15:40 |

6 Comments:

At 14/9/05 16:48, Blogger gonn1000 said...

Este deve ser o post mais estranho que li ultimamente lol. Boas leituras ;)

 
At 14/9/05 16:51, Blogger rita said...

já agora: o livro custa 17,50 euros, mas faço-te 14 euros.

 
At 14/9/05 17:19, Blogger João M said...

Rita, SIM!!!

 
At 14/9/05 17:54, Blogger bicho_de_conta said...

Mas se houvesse essa secção (aposto que a Cibele adoraria a ideia...), a barra da Praça da Alegria deixava de ter uso! :-D

 
At 15/9/05 11:38, Blogger Daniel J. Skråmestø said...

Nesse caso recomendo-te vivamente a biografia de Proust escrita pelo Edmund White. É só coscuvilhice, ou seja a única biografia verdadeiramente interessante e capaz de fazer justiça ao homem.

Também "the naked civil servant" do Quentin Crisp. Este devia ser de leitura obrigatória para quem quer cultivar a gayness.

 
At 19/9/05 01:45, Blogger O Puto said...

Então e onde encaixa aqui a máxima "a realidade ultrapassa a ficção"?

 

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